O ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), publicou nesta terça-feira (25) em seu canal no YouTube um vídeo de ‘react’ a uma gravação do atual prefeito, Abílio Brunini (PL).
No vídeo, o prefeito Abílio fiscaliza o galpão do Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e afirma ter encontrado várias cadeiras de rodas novas "paradas e acumulando poeira". Na gravação, Abílio revela que a gestão de Pinheiro pagou R$ 4,2 mil por cada cadeira e, em seguida, pesquisa no Google, descobrindo que as mesmas cadeiras custam menos de R$ 2 mil.
Em tom irônico, Emanuel Pinheiro criticou a atitude de Abílio ao comparar os preços das cadeiras com os encontrados no Mercado Livre. Para o ex-prefeito, a situação foi absurda, pois um prefeito de capital não deveria recorrer a uma plataforma de vendas online para fazer comparações de preços sem compreender os processos legais envolvidos em uma licitação pública. Pinheiro destacou que o modelo de cadeira D600 citado por Abílio possui especificações variadas, o que pode influenciar no valor de mercado. Ele também questionou o desconhecimento do atual prefeito sobre a complexidade dos processos licitatórios, além de apontar a incoerência em comparar preços sem considerar as particularidades e critérios das compras públicas.
"Não dá para levar a sério uma situação dessa [...] vocês me desculpem, mas é brincadeira. Eu preciso rir desse cara porque ele ensinou ali que tinha ligado, não sei para quem, que era contador da empresa ‘Mais Médicos’, e olhou no Mercado Livre. No Mercado Livre! Um prefeito de uma capital não sabe o que é uma licitação? Não sabe o que é um processo licitatório e vai comparar preço com o Mercado Livre? Uma cadeira D600, que tem inúmeras especificações, tem vários tipos e preços", ironizou.
Em sua defesa, Pinheiro explicou o processo de aquisição e distribuição das cadeiras de rodas, ressaltando que elas são compradas conforme a demanda das unidades de saúde, e não de forma indiscriminada. Ele explicou que o armazenamento de materiais é uma prática comum e necessária tanto em unidades públicas quanto privadas, permitindo que, em situações de urgência, as unidades não precisem passar por um longo processo licitatório.
"Essas cadeiras são atendidas por demanda. Não é o CDMIC ou a prefeitura que vai pegando cadeira e jogando nas unidades. As unidades têm que vir e solicitar. Mas por que estavam estocadas lá? Estariam elas na casa do prefeito, do ex-prefeito ou no meio da rua? Toda unidade, pública ou privada, que tem planejamento, responsabilidade e prevenção, faz estocagem. Ela planeja o estoque de equipamentos para, quando surgir uma urgência ou necessidade, não precisar iniciar um processo licitatório que demanda muito tempo. Quer que eu desenhe, 'prefeitinho'?", explicou.
Em determinado ponto do "react", ao ver Abílio mostrar 29 cadeiras odontológicas no depósito, Pinheiro afirmou ter compreendido a motivação do atual prefeito em gravar o vídeo, apontando que ele queria desviar da denúncia feita pelo vereador Jeferson Siqueira (PSD).
"Aqui está o X da questão. Sabe por que todo esse teatro? Porque o vereador Jeferson Siqueira, na semana passada, pegou o prefeito de surpresa, dizendo que 29 cadeiras odontológicas novinhas chegaram no dia 7 de janeiro no CDMIC e até hoje não foram entregues nas unidades. E detalhe: a instalação delas é gratuita. Então, é por causa da denúncia do vereador que o atual prefeito se sentiu cutucado", pontuou.